Empresas já incluem dados ESG em seus balanços, regra vale apenas em 2023 Notícias
16
maio

Empresas já incluem dados ESG em seus balanços, regra vale apenas em 2023

CVM revisa Diretiva para exigir que empresas brasileiras mostram métricas sobre questões climáticas, bem como riscos ambientais, sociais e de governança.

O relatório de resultados do 1º trimestre de 2022 traz mudanças que podem ser observadas nos dados operacionais da empresa, como informações relacionadas a riscos ambientais, sociais e de governança, mais conhecidos como ESG.

Devido à revisão da Portaria 480/09 pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em dezembro de 2021, as empresas brasileiras são obrigadas a fornecer informações sobre a diversidade de gestores e grupos de funcionários, além de seu inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Carlos Miranda, sócio-fundador da X8 Investimentos, disse que a tendência está acontecendo à medida que os investidores optam cada vez mais por empresas com agendas ESG, “punindo aquelas que não são sustentáveis”.

Marcelo Oliveira, fundador da CFA e da Quantzed, disse ainda que “[as empresas] que não cumprem as regras têm de ser mais ecologicamente eficientes porque cada vez mais pessoas vão procurar este tipo de empresa”.

Para especialistas, com temas ESG em pauta, as empresas não terão problemas para se adaptar ao reporte desses dados. Eles apontam que é apenas uma questão de organizar as informações não apenas para os investidores, mas também para os consumidores que a consideram.

Oliveira acredita que os investidores e a sociedade já teriam levado a essa mudança há muito tempo se não fossem as obrigações dos órgãos reguladores.

A deliberação da CVM entrará em vigor em 2 de janeiro do próximo ano. Nesse sentido, as informações a serem divulgadas após essa data ainda serão baseadas em dados ESG para o exercício findo em 2022, ou seja, as demonstrações financeiras anuais e do quarto trimestre.

Exemplo de fora

Na Europa, os gestores tiveram que se adaptar ao Regulamento de Divulgação Financeira Sustentável desde 2021.

“Destinado a combater o chamado greenwashing (empresas que usam discurso pró-ambiental, mas na verdade fazem o contrário), o regulamento implementa um conjunto uniforme de padrões de divulgação, conhecidos pela sigla SFDR (Sustainable Financial Disclosure Regulation). sócio fundador da X8 Investimentos.

De acordo com o plano de ação da UE, um aumento de desastres naturais relacionados a fenômenos climáticos significa que as empresas terão que se preparar para o aumento dos custos. “Um aumento de 2°C na temperatura global pode ter efeitos desestabilizadores nos sistemas econômicos e financeiros da Europa.”

A diferença entre Brasil e Estados Unidos é que nenhuma empresa estrangeira é obrigada a divulgar suas informações, porém, muitas já investigaram e compartilharam com investidores.

A SEC recomenda que as empresas públicas dos EUA divulguem alguns dos riscos associados ao clima e às emissões de gases de efeito estufa. A medida faz parte do esforço global conjunto do presidente Joe Biden para prevenir desastres relacionados ao clima.

Mas, de acordo com Oliveira, a oposição disse que a proposta prejudicaria as atuais diretrizes de divulgação sem criar um sistema para relatar efetivamente os impactos climáticos.

Por outro lado, os fundadores da Quantzed acreditam que se a SEC aprovar a lei, outras agências começarão a decretar medidas semelhantes. “Como vivemos em um mundo cada vez mais consciente, faz todo o sentido [agência obrigar as empresas a divulgarem aspectos ESG]”.

Fonte: Reuters

Autor:

Nayara Bolognesi

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