Volta a crescer abertura de novas empresas; maioria é MEI

País tem quase 220 mil novas empresas em maio, crescimento de 12,8% sobre abril, mostra Serasa Experian; segundo economista, dados revelam empreendedorismo de necessidade

 

Depois de uma queda no número de empresas abertas em abril deste ano, reflexo imediato do começo da pandemia do novo coronavírus no País, maio registrou um aumento de novos empreendimentos, segundo os dados mais recentes do Indicador de Nascimento de Empresas da Serasa Experian, divulgados com exclusividade ao Estadão PME.

Dentre as 219.749 empresas criadas em maio deste ano, que representam um crescimento de 12,8% sobre abril, 78,4% delas são microempreendedores individuais (MEIs). No acumulado do ano, foram abertas 1.044.347 MEIs, segundo a Serasa Experian, um número que representa uma leve queda com relação ao mesmo período de 2019, com 1.053.094 MEIs.

O número total de MEIs no País alcançou a marca de 10 milhões em abril, neste que é o ano em que o Brasil deve atingir a sua maior taxa de empreendedores iniciais ou donos de negócios com até três anos e meio de atividade, com 25% da população adulta nacional, segundo relatório do Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

Ainda assim, os dados mais recentes da Serasa Experian não devem sugerir um impulso ao empreendedorismo por vocação ou oportunidade, faz a ressalva o economista-chefe da empresa, Luiz Rabi.

“Não é que o Brasil da noite para o dia se tornou um celeiro de empreendedorismo. O que temos percebido há uns quatro anos é uma crescente abertura de novas empresas por pessoas que, pela dificuldade de encontrar emprego no mercado de trabalho, viram empreendedores, sem vocação. É o que chamamos de empreendedorismo de necessidade.”

Dados do GEM colhidos em 2019 e divulgados neste ano apontam que, dos 55 países analisados, o Brasil está entre os dez primeiros onde a falta de emprego é mais levada em conta para abrir um negócio.

Dentre os MEIs analisados pela Serasa Experian em ranking semestral, os dados de 2019 apontam que os cinco setores que concentram pelo menos 40% da atividade econômica são: serviços de manicure e pedicure, pequenas confecções, serviços de alimentação, reparos e manutenção e venda de perfumaria e cosméticos.

“Tirando o setor de reparos, que é o marido de aluguel que trabalha na rua, todas as outras são atividades que as pessoas já desenvolviam dentro de casa, setores de baixa qualificação”, afirma Rabi, segundo quem o número de novas empresas bateu a marca de 3 milhões no ano de 2019.

O Índice de Nascimento de Empresas aponta que o Sudeste é o líder em abertura de novas empresas no meio da pandemia, com 110.868 CNPJs, sendo São Paulo o Estado com o maior número delas, 58.731.

Enquanto isso, caiu o número de pedido de falências (no âmbito total de empresas, de qualquer porte): em maio de 2019 ele foi de 163, e neste ano foi a 80, uma queda de 50,9%. No acumulado de janeiro a maio, o Brasil somou neste ano 395 pedidos de falências, enquanto o mesmo período do ano passado aponta para 580.

 

FONTE: Estadão PME